Para derramar...

20130101-083850.jpgTodo mundo conhece aquela imagem do copo meio cheio, meio vazio, e muito provavelmente já se viu percebendo " eba, vejo meio cheio", "porcaria, vejo meio vazio". Mas a grande questão é: olhar um completamente vazio e ter a habilidade de enxergá-lo cheio, transbordante, de possibilidades.Todo mundo também já ouviu, ou disse, "nascemos todos pelados". Sim, é verdade, mas aproveitando um pouco melhor o que essa percepção rende, nascemos sem vícios, sem padrões, sem medos, sem dependências emocionais. Nascemos vazios de toda porcaria que nos complica a vida, e repletos de possibilidades.É bem pertinente o buscar as respostas da vida, mas também é bem consistente não precisar de respostas para descobrir a vida. O sofrimento parece estar sempre atrelado a precisar ver cheio, a manter cheio, a mostrar cheio, algo que simplesmente já é cheio de vida.Mas ninguém precisa se tornar naturista para viver despido, ninguém precisa do estômago pesado para se dizer saciado, ninguém precisa da casca para dizer que tem gema, aliás, a gema só vira gemada depois que sai da casca. O sol não nasce sob nossas condições, ele simplesmente nasce, ciclicamente nasce, naturalmente ilumina, e a noite vazia dele contém todas as possibilidades de seu nascimento seguinte.No Rio de Janeiro, no verão, é comum as pessoas na areia da praia, ou mesmo embriagadas de beleza na pedra do Arpoador, aplaudirem o por do sol. Eu mesma já me juntei ao bolo e aplaudi diversas vezes... e é um momento mágico, onde tantas pessoas diferentes direcionam a atenção a um mesmo ponto: a gratidão a gratuidade da beleza. Mas sempre me ficou uma questão, aplaudimos o derramamento do sol sobre nós, mas será que reconhecemos que podemos derramar também?

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Reveillon... E agora? Agora!